Como julgar com base nos fatos
Um roteiro para o eleitor usar os dados deste site sem cair em número isolado, média enganosa ou conclusão que o dado não sustenta.
Em 7 passos
- Defina o que importa para você. Presença? Projetos que mudam serviços? Fiscalização do governo? Verba para o bairro? Escolha antes de olhar os números, para não escolher o critério que favorece quem você já preferia.
- Use o mesmo período para todos. No comparador, o filtro vale para todos os vereadores ao mesmo tempo.
- Olhe pelo menos três números diferentes de cada vereador. Um só número esconde mais do que mostra.
- Compare com a média da Câmara e com quem teve a mesma oportunidade (mesmo número de sessões, mesma posição: situação ou oposição).
- Abra os exemplos. Todo número tem um link para a página oficial. Abra dois ou três projetos ou votações e confira se o que o número sugere é o que está escrito.
- Separe fato de interpretação. “Faltou a 12 de 80 votações” é fato. “Faltou porque não quis se comprometer” é opinião sem prova.
- Guarde a fonte e a data. O botão “Copiar resumo” traz as duas. Os números mudam quando a Câmara publica algo novo ou corrige um registro.
O que os números permitem afirmar
- Quantas sessões o vereador teve, em quantas esteve presente e quantas faltas foram justificadas.
- Em quantas votações constava como ausente e como votou nas demais.
- Quantos projetos apresentou, de que tipo, e quantos viraram lei.
- Quanto de emenda impositiva foi empenhado e pago com o nome dele no texto do empenho.
- Quanto a Prefeitura gastou, em quê, com quem, e que obras informou.
O que eles NÃO permitem afirmar
- Que um vereador é “bom” ou “ruim”. Não existe nota aqui, de propósito.
- Por que ele agiu assim (motivo, intenção, interesse).
- Que um gasto foi irregular. Valor alto ou fornecedor frequente não é irregularidade; isso exige olhar o contrato e o serviço entregue.
- O que acontece nos bastidores: negociação, atendimento no gabinete, fiscalização informal.
- O que o candidato fará no próximo mandato.
Erros comuns ao usar dados públicos
| Erro | Por que engana | O que fazer |
|---|---|---|
| Contar projetos sem ler | Nome de rua e mudança de imposto valem 1 cada. | Veja “Regras, serviços ou verbas” e abra os projetos. |
| Comparar quem entrou no meio | Suplente tem menos sessões e votações. | Confira o número de sessões de cada um. |
| Usar taxa de aprovação com poucos projetos | 2 de 3 aprovados parece 67%, mas é pouco dado. | Olhe o “de N” ao lado da taxa. |
| Tratar ausência como omissão | Pode ser licença, saúde ou mandato em outra função. | Veja o padrão e as justificativas. |
| Atribuir verba a quem não é autor | O vínculo emenda–vereador vem de texto livre e é só um piso. | Abra o empenho e leia o texto. |
| Citar número sem data | O ano em curso é parcial e os registros mudam. | Copie o resumo, que já traz a data. |
Se for usar na campanha
- Cite sempre o número, o período, o link da fonte e a data da consulta.
- Não afirme motivo nem faça acusação que o registro não sustenta.
- Se o dado tiver lacuna (veja “Limites dos dados” em Como medimos), diga ou não use.
- Propaganda eleitoral com fato inverídico tem consequência legal. Mostre peças de campanha a um advogado eleitoral antes de divulgar.
- Se encontrar um erro no site, veja as correções publicadas e avise pelo contato do projeto.